quarta-feira, 3 de maio de 2017

O empreendedor e o Plano de Negócios

       
       É indiscutível a importância do empreendedorismo como elemento propulsor de inovação, desenvolvimento, geração de emprego e renda. O empreendedorismo tem função importante no desenvolvimento de negócios, regiões e até mesmo nações, ainda que sua base seja apenas o encontro de uma oportunidade lucrativa, que nada mais é que um bem ou serviço que pode ser vendido por um valor maior que seu custo de produção, com um indivíduo empreendedor, que é aquele que age diante de uma oportunidade que vale a pena ser trabalhada.
       
       Os estudos sobre o empreendedor e o empreendedorismo possuem duas correntes, a dos economistas, que observam do ponto de vista do desenvolvimento econômico e a inovação e os comportamentalistas que avaliam do ponto de vista das atitudes, como a disposição para correr riscos, criatividade e intuição.
      
       Os empreendedores pensam de forma diferente das pessoas comuns, de modo que possa tomar decisões em ambientes de grande pressão, incerteza, alto risco e de desgaste emocional. Já no viés econômico o empreendedor é aquele que assume riscos ao comprar serviços ou componentes por um preço certo com a intenção de vender por um preço incerto, que é capaz de alterar os recursos econômicos de uma área de baixa produtividade transformando-a em uma área de produtividade e lucratividade elevadas e que inovam através da introdução de novos produtos, novos modelos organizacionais e de produção, além de terem sido fundamentais em todo o progresso da humanidade, a exemplo do empreendedorismo nas grandes navegações, revolução mercantil e industrial.
      
       O empreendedorismo tem início no Brasil na década de 90, pois antes disso os ambientes político e econômico do país não propiciavam a iniciativa de empreendedores, além de que as informações e orientações com relação ao tema eram raras. Desde então o empreendedorismo tem se tornado muito forte na cultura brasileira, e o IBPQ confirma esta informação ao destacar que em 2015 o Brasil bateu recorde da taxa total de empreendedores ao chegar a marca de 39,3% da população entre 18 e 64 anos, índice muito superior ao de países como E.U.A e Alemanha. Visto estas informações, a pergunta que fica é: Já que o empreendedorismo é a mola propulsora do desenvolvimento e o povo brasileiro é tão empreendedor, o que acontece de errado que o país tem um crescimento econômico e social tão pífio em relação ao resto do mundo? Uma das várias respostas desta pergunta é sem dúvidas o planejamento.
       
       Sabe-se que um dos pilares para o sucesso de um empreendimento é o planejamento. E quando se junta planejamento e empreendedorismo, nenhuma metodologia é mais presente que o Plano de Negócios. O Plano de Negócios é o mapa do percurso na viagem pelo mundo dos empreendedores, que será utilizado para organizar as ideias do empreendimento nascente, concentrar informações importantes sobre o ramo de atuação, os produtos e serviços oferecidos, clientes potenciais, concorrentes, fornecedores e pontos fracos e fortes do empreendimento, para que ao fim seja possível atestar se a ideia é viável ou não. O plano de negócios é um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócios que o sustenta através do estabelecimento de diretrizes, identificação de oportunidades, orientação das operações, desenvolvimento da equipe de gestão e planejamento antes da implantação de uma ideia. Nele devem ser descritos todos os elementos internos e externos relevantes para a implantação do novo empreendimento. Sem dúvidas, o passo que o empreendedor deve tomar após ter uma ideia e deseja implantá-la é o Plano de Negócios, para que ao entrar no mercado sua estratégia seja mais assertiva, diminuindo os riscos.

Referências:
IBPQ. Empreendedorismo no Brasil 2015. Curitiba: IBPQ, 2015
HISRICH, R. D; PETERS, M.P; SHEPHERD D.A. Empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009.
DORNELAS, J.C.A. Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. São Paulo: Elsevier Editora Ltda, 2008.
MAXIMIANO, A. C. Administração para empreendedores. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
ROSA, C. A. Como elaborar um plano de negócios. Brasília: SEBRAE, 2013.










quinta-feira, 13 de abril de 2017

CANVAS: Uma maneira simples e eficiente de modelar negócios

           


           Sempre acreditei que nos negócios a simplicidade é fundamental. Nunca gostei de fórmulas e matrizes mirabolantes para solucionar problemas ou criar valor. E isso se vê na prática com muita facilidade, em empresas que possuem planos de bonificações ineficientes, por serem incompreensíveis para os colaboradores. Planejamento estratégico que só os que participaram de sua montagem conseguem entender, parecendo para os outros parece ter sido feito em aramaico.
           
           Coloco essa minha opinião, pois recentemente tive o prazer de ler o livro Business Model Generation: Inovação em modelos de negócios de Alexander Osterwalder, Yves Pigneur e por mais 470 colaboradores, que trata do CANVAS, matriz de modelagem de negócios, extremamente eficiente e impressionantemente simples.
          
           O CANVAS é dividido em 9 componentes “que mostram a lógica de como uma organização pretende gerar valor.” Ao se montar a matriz, a indicação dos autores é que ela deve ser colocada em um local onde todos que farão parte do processo de modelagem do negócio possam acrescentar suas ideias e sugestões separadas por componentes, até que o consenso defina o modelo mais adequado.
          
           Os 9 componentes do CANVAS são estes que apresento a seguir e para preenche-los devemos responder as seguintes perguntas:




Segmentos de clientes: Para quem estamos gerando valor? Quem são nossos consumidores mais importantes?

Proposta de valor: Qual valor entregamos aos clientes? Qual o problema estamos ajudando a resolver? Qual necessidade estamos satisfazendo?

Canais: Através de quais canais nossos clientes querem ser contatados? Como nossos canais se entregam a rotina do cliente? Qual funciona melhor? Quais apresentam melhor custo benefício?

Relacionamento com clientes: Que tipo de relacionamento cada um dos nossos segmentos de clientes espera que estabeleçamos com eles? Como este relacionamento se integra com os outros componentes do modelo de negócio.

Fontes de receita: Por quais valores nossos segmentos de clientes estão dispostos a pagar? Pelo que eles pagam atualmente? Como pagam? Como prefeririam pagar? O quanto cada fonte de receita contribui para o total de receita?

Recursos principais: Quais recursos físicos, financeiros, intelectuais e humanos nosso modelo de negócio requer?

Atividade-chave: Qual a atividade-chave do nosso modelo de negócio?

Parcerias principais: Quais são nossos principais parceiros e fornecedores e o que estamos adquirindo deles?

Estrutura de custos: Quais são os custos relacionados à realização do nosso modelo de negócios?

            O CANVAS pode ser utilizado para diversas finalidades, dentre elas a remodelagem de uma empresa, inovação, elaboração de um novo negócio e até mesmo para montagem de um protótipo de plano de negócios, onde se consegue ter uma ampla visão da empresa foco da modelagem.
     
          O SEBRAE disponibiliza esta matriz online. Vale muito a pena conhecer. O link para acesso é este: www.sebraecanvas.com
Muito obrigado pela visita e até a próxima!


Referências:
OSTERWALDER, A; PIGNEUR, Y. Business Model Generation - Inovação em modelos de negócios: Um manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books,2011.

SEBRAE. Canvas SEBRAE. Disponível em: <www.sebraecanvas.com>. Acesso em: 11 abr. 2017.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Eike Batista, exemplo de um dos maiores males do Brasil


Hoje acordamos com a notícia de que a PF estava no portão da casa de Eike Batista, com um mandato de prisão. Sua ausência privou veículos de comunicação do mundo inteiro de terem notícia para o dia todo, com fotos do magnata ao ser preso espalhadas por todas as partes do globo.

Sim, o brasileiro que chegou a ser considerado pela Forbes o 7° mais rico do mundo está de mudança para uma cela de 12 m². Presos comuns costumam ficar em dezenas nestas celas, mas provavelmente arrumarão alguma justificativa para que a hospedagem do novo morador ilustre seja exclusiva.

Mas não foi para comentar sobre o que vai acontecer com Eike que resolvi escrever este post, que diga-se de passagem, é o post de inauguração do blog. Quero escrever sobre um problema histórico da nossa nação, que é exposto com esta prisão, o relacionamento privilegiado de empresários com representantes do poder público. 

Sim, enquanto os pequenos empreendedores e a classe média se matam de trabalhar para sustentar este país, os governantes abrem os cofres públicos para beneficiar milionários, que podem devolver para eles a caridade feita com o dinheiro do povo. Isenções tributárias para grandes empresas em setores friamente selecionados, obras que não tem fim entregues as empreiteiras da lava jato, licitações descaradamente direcionadas e o país parado, estagnado e quebrado com estas pessoas ficando cada vez mais ricas, financiadas pelo dinheiro arrancado de nós através de uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo.

Em um capitalismo sadio em um país democrático isso não pode e não deve acontecer. Tamanha burocracia e tributações para os mais fracos e tantas regalias aos mais fortes enfraquecem o principal pilar da liberdade de mercado, a livre concorrência.

A conhecida história do Barão de Mauá comprova que este problema em nosso país é crônico. Sua biografia nos ensinou que é difícil empreender no Brasil sem enriquecer políticos abutres, que ficam ao nosso redor desde a época do império. A grande culpa disso está no tamanho do estado (poder estatal) brasileiro, defendido por unhas e dentes por muitos, que não percebem que estão simplesmente alimentando leões e roendo os ossos que sobram. 

Eike será preso por sua relação com Cabral ter sido descoberta. Sua carcaça será exposta como um troféu, mas ele é apenas um expoente nacional. Nos menores municípios do Brasil se enxerga com facilidade estas relações criminosas entre empresários e políticos, que mostram que o buraco é bem mais embaixo que se pensa.